Aqueles 25 centavos de troco que viravam ficha de fliperama no boteco da praça, nem foram minhas primeiras oportunidades de jogar jogos eletrônicos, mas foram as iscas para que eu simplesmente me tornasse um apreciador de games. Dali para conhecer a locadora da esquina, onde mega drive era o padrão e snes era o luxo, foi um pulo. Nada me chamava mais atenção do que poder controlar com minhas mãos o que acontecia na tela da TV.
Mais tarde, com o passar do tempo, locadoras concorrentes apareceram, e com elas novos consoles. PlayStation, DreamCast e Nintendo64, me fizeram passar alguns pequenos apertos por causa de notas baixas na escola. Como é que uma aula de história poderia ocupar mais espaço na minha cabeça (jovem) do que os combos do Ultimate (God) Rugal no Capcom vs SNK 2, lembrar das areas secretas do Duke Nukem: Time to Kill ou a forma de desbloquear a GoldenGun no 007 GoldenEye?
(pra quem não se lembra, precisa passar a fase secreta Egyptian em menos de 6 minutos na dificuldade 00 Agent)
Ou seja, minha infância e juventude carrega uma história muito parecida com incontáveis outros garotos da mesma época, inclusive com você que está lendo essa história. isso, sem sombra de dúvida me transforma em um gamer! Mas não o suficiente para me gabaritar ao status de gamer real se eu não conseguir criar conteúdo das minhas jogatinas? Para ser gamer hoje, precisa mostrar? Precisa ter uma plateia? Precisa se colocar aos olhos julgadores de uma multidão de gente que por vezes passam mais tempo na semana assistindo vídeos de gente jogando do que passam eles mesmos jogando?
Para um adulto que gosta de jogar, mas é casado, tem filhos que consomem parte do nosso tempo e da nossa energia, e toda a rotina necessária para dar sustento a família, ter aquele tempinho livre para ter o controle do controle (desculpe a piada de má qualidade) é de longe uma das maiores dificuldades do dia e ao mesmo tempo um dos maiores luxos que se pode ter. Há quem diga que é imaturidade e fuga da realidade e há quem entenda que é um hobby como qualquer outro e um alívio mental de um dia duro de trabalho.
Relaxar apertando os botões do controle ou as teclas do teclado é tão mal julgado por uma grande quantidade de pessoas (que não querem pagar nenhum dos nossos boletos) que as vezes o homem trabalhador focado, empreendedor no tempo extra, um marido dedicado e um pai exemplar, se sente culpado por dar esse pequeno suspiro no seu dia a dia. Mesmo depois de cumprir todas as obrigações e não obrigações do seu dia (ou da sua semana, para os que só conseguem jogar aos sabados), parece que está sendo irresponsável ao dedicar meia hora a uma tela “cheia de bonequinhos”.
Quando isso acontece, é o pior dos cenários. Não é outra pessoa desmerecendo ou marginalizando seu hobby, sua diversão, seu momento… é ele próprio se colocando como imoral. O famoso argumento: “tanta coisa útil que você poderia estar fazendo, mas tá aí, jogando joguinho”. Caralho meu amigo! Pare com isso! Jogos eletrônicos são arte! Nem melhor do que pior do que qualquer outra coisa que as pessoas façam e julguem ser mais “úteis” que jogar videogames.
Ler livros, desenhar, assistir filmes, séries ou animes, ir pra academia, correr na rua, pescar, e qualquer outra coisa que você queira inserir nessa lista, tem seus benefícios a serem consumidos, e também seus malefícios se não forem bem administradas. E jogar videogames deveria estar nessa lista como qualquer outra coisa, mas sempre tem aquela ideia de que não. Jogar videogame é coisa de criança e de desocupados. Sendo que já há muito tempo é a indústria mais lucrativa que existe.
Eu poderia ser “indelicado” e falar que, mesmo que julguem que jogar videogame é algo sem futuro, ainda assim, é melhor do que fumar, beber, assistir “faroeste”, e consumir a vida dos outros no instagram (e redes sociais no geral) e a conteúdo alheio no youtube… o que nos leva ao tema desse artigo.
As pessoas transformaram, ou estão em processo de transformar, esse hobby e a comunidade que a forma em algo tão escroto que aí sim, passa a dar alguma razão (apesar de errada) a quem critica os gamers. Jogar videogame deixou de ser algo que você faz e discute com amigos que também jogam, para se tornar um motivo para um retardado qualquer falar groselha durante 20, 40 50 minutos (e as vezes durante horas sem fim), fazer apenas com o objetivo de ter audiência. Existe um grande número de pessoas que preferem assistir do que jogar. Assistir ao influencer gamer independente do jogo que ele esteja jogando.
Qual o problema disso na minha opinião? Nenhum problema! Já que a opinião é minha, não importa pra nenhum deles, não existe problema. Mas não haver problema não quer dizer que não há um porém. E o porém nessa história é que o termo gamer foi direcionado para esse tipo de gente, que nem é gamer na minha opinião (já falei: MINHA opinião!). Eles são apenas colecionadores.
Colecionadores de ativos. E cada mente ligada emocionalmente a eles, ao jeito de falar, de gritar de medinho em uma live de um jogo de terror, de dar opinião sem realmente ter tido a experiência de jogar o tal jogo “nas antigas”, é na verdade, para eles, um número com possibilidade de ser convertido em dinheiro. Nada mais que isso. Nem todos, mas boa parte. E isso é facilmente identificado, e você pode fazer isso, assistindo APENAS UM ÚNICO VÍDEO!
No momento em que der um play em um vídeo de qualquer youtuber gamer, pode incluir outras plataformas como twitch, ou qualquer outra que tenha por aí, ligue o modo “desconfiado procurando chifre em cabeça de cavalo”. Assista procurando as entrelinhas, tentando sentir a alma do miserável, buscando a discórdia. Se sinta motivado a descobrir um motivo pra dizer que aquele cara não foi ele mesmo ou sincero o suficiente em algum momento do vídeo.
E você vai deixar de ser uma conquista desbloqueada para ele e vai descobrir como filtrar o conteúdo que assiste, ou aos criadores que acompanha. E isso vai te libertar de um peso que te impede de ser mais gamer do que consumidor de conteúdo de supostos gamers.
Aquele console velho, de um tempo que não existia catálogo de conquistas, que a diversão era o objetivo central de um jogo, passa a ressoar em você de forma mais intensa. E NÃO! Não é pra virar um retrogamer! A não ser que você curta mais os antigos que os novos. Você quem escolhe! Sem pressão.
Mas o objetivo desse exemplo é tentar te fazer entender que jogar é jogar. Melhor que assistir alguém jogando. Melhor que gastar cada minuto livre entre atividades rolando o feed do instagram consumindo a vida alheia, melhor do que perder tempo com coisas que não são a coisa que você realmente gosta de fazer que é JOGAR VIDEOGAME!
Ser um gamer, é só um rótulo. Não é importante. Não tem glória, nem carrega desgraça. Ser gamer é só jogar, e gostar disso. Eu posso estar redondamente enganado em julgar dessa forma (e julgo mesmo! Todo mundo julga os outros por tudo. só não diz), do que é ser um gamer, mas de uma coisa eu não abro mão, que é julgar o que NÃO é ser um gamer.
Ter centenas ou milhares de pessoinhas dando joinha e massageando seu ego, mostrar insistentemente seu número de platinados, se gabar de uma biblioteca de jogos com 4 dígitos na coleção, ter seu próprio jogo… (e outras coisas mais ofensivas que é melhor eu me policiar), nada disso efetivamente te dá o título de gamer, pelo contrário, afastam. Pois no momento que o “cara” transforma o jogo em uma ferramenta com o objetivo claro, óbvio e indiscutível de servir apenas como uma forma de ganhar dinheiro gerando conteúdo e entretenimento pra geral, (novamente) na minha opinião ele é menos gamer do que a dona Julieta que joga seus joguinhos casuais nas plataformas online de jogos de browser.
Como eu disse, posso estar errado (talvez até MUITO errado), mas é a minha opinião e o meu blog em que eu escrevo a minha opinião de forma redundantemente. Lê quem quer, concorda quem for doido.
Já joguei com amigos que dormiram no meio da jogatina, me deixando para morrer contra hordas de zumbis malditos, já levei disconect por ter ido buscar um café e ter ficado preso em uma conversa com a patroa ou ajudando um dos filhos, e até mesmo já cancelei ótimos convites para ótimas jogatinas com ótimas pessoas porque o corpo já estava mais surrado do que uma capa de gaita depois de um dia duro de trabalho. E isso sim me garante que ser gamer é lutar para manter vivo o amor pela décima arte, mesmo com todas as dificuldades e incompreensões externas. Ser gamer é escolher a arte que você interage enquanto consome, que recebe de você enquanto te entrega experiências que outras mídias não conseguem.
Tem pra todas as idades, e pra todo tipo de pessoas. Tem até jogos pra animais! kkkkk É um dos melhores hobbys que existe! E quem discordar, que vá com sua opinião pra outro blog. Aqui é meu território. É o canto do cara que joga quando é possível, mas que joga de verdade, apreciando o jogo da forma como o jogo deve ser jogado e da forma como ele não deve ser jogado também.
Jogos podem me dar sono, me estressar, me relaxar, me deixar ligado, podem me recompensar ou simplesmente me fazer gastar tempo, mas ainda assim, é melhor que muita coisa por aí.
E pra quem convive com pessoas que pensam que jogar é algo prejudicial, profissionalmente ou socialmente falando, saiba que existem vários estudos indicando muitos e muitos benefícios que apenas quem joga videogames têm. Faça algumas pesquisas e você terá vários argumentos para esfregar na cara de qualquer um que vier com esses papinhos fuleiros. (Recomendado apenas para quem tem coragem de se arriscar a receber veneno no café dado pela esposa “compreensiva e amorosa”).
Pensar nos seus jogos enquanto você trabalha, ou pensar em como resolver aquela parte que você travou no jogo que está jogando enquanto você está executando outra atividade, mostram sinais claros de que você tem a atividade cerebral alta e focada justamente nas coisas mais úteis para um homem: estratégia e resolução de problemas.
Então meu amigo, JOGUE! Diminua a quantidade de tempo que você vê outra pessoa jogando e vá você mesmo jogar seus jogos. Deixe de ser número pra youtuber gamer e vá você conquistar suas vitórias. Seja um gamer de verdade.
Continue a estimular sua mente a apertar os botões e teclas enquanto aumenta sua percepção e reflexos, fortifica sua capacidade visual e auditiva e ainda mantem sua mente forte contra as doenças comuns de uma idade avançada, que você também vai alcançar ao longo da vida.
O que a sociedade tem como consenso social, muitas vezes é uma opinião idiota… só ganha força porque são muitas pessoas com a mesma opinião, que por vezes nem é delas. Elas apenas replicam o que outros dizem.
Cabe a você definir o que você é, que tipo de gamer você é, e mandar essa galerinha chata plantar batata.
Esse texto foi escrito em partes, momentos e dias diferentes, e pode soar meio desconexo ou ofensivo em algumas linhas e frases, mas era um desabafo que eu precisava fazer devido a tantas mudanças que venho vendo no “mundo gamer” da internet.
Você é obviamente livre para concordar ou discordar e dar a sua opinião (lá no seu canto, na sua rede social ou canal). Mas mais do que isso, eu recomendaria que você pensasse na sua visão sobre como esse termo “gamer” está sendo usado hoje e se você concorda e fizesse seu próprio desabafo.
Quanto mais gamers de verdade mostrarem o que pensam, menos idiotas teremos no mundo… ou eu posso estar realmente muito muito enganado e causar mais gente idiota por aí falando groselha.
Espero voltar a escrever aqui novamente com a frequência que eu conseguir, Constância sempre foi um problema pra mim. E também pretendo voltar a colocar conteúdo no canal HoraNinja. Eu jogo, mas esqueço de gravar! kkkkkkk Gasto mais tempo sendo gamer do que youtuber.
O canal HoraNinja está aqui: youtube.com/@horaninja
Acompanhe o HoraNinja aqui e no youtube. Forte abraço! Fui.
E obrigado por ler meu artigo. Bons jogos pra você.
